Andróide Paranóide
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
 
SÁBADO combinei um barzinho à tarde na Vila Madalena e como demoraram para aparecer, fui ligar para uma amiga, guarda-chuva numa mão, celular com o telefone dela na outra e eu tentando ligar do orelhão, aquela chuva, o celular escorregou e caiu embaixo de um carro e lá estava eu com os joelhos na enchurrada me esticando todo para pegar o aparelho.

Domingo, Fevereiro 01, 2004
 

 
Fiz um flog.... apareçam lá, é www.fotolog.com/gothmog77.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
 
É meia-noite e estou com insônia. É a hora de ler Bobbio (Estado, Governo e Sociedade - Para uma teoria geral da política, para quem estiver interessado).

 
Estou altamente insatisfeito com o meu emprego. Ok, o jornal não tem estrutura, mas isso começa a ficar frustrante. Não tenho mais tesão nessa porra.
Quando comecei, achava que poderia fazer coisas interessantes, mas tá difícil. Acho que é hora de começar a enviar currículos novamente.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
 
DOIS

O cobertor estava quente, mas a cabeça estava mais. Não coloca tanta minhoca aí, dizia a Emília enquanto enrolava os dedos no meu cabelo, mas eu coloquei, elas prosperaram e criaram uma grande cidade, Gotham City, cheia de morcegos e cavernas.
Após tomar café um banho, ligou o computador e começou a mandar currículos. Uma lista enorme de emails, uma lista enorme de anônimos bem conhecidos que vão me julgar, me julgar porra nenhuma, vão ler umas 20 linhas e decidir se posso ser útil, bosta, esse email voltou.
Em uma semana, enviara cerca de 100 emails com o currículo, e recebera seis respostas. De recusa, “agradecemos o interesse”, “colocamos seu currículo no nosso banco”, “seu currículo é interessante”. Uma resposta honesta e simples, é só o que eu quero. De preferência, dizendo que sou muito bom e que vão me oferecer um puta salário.
De repente, viu que já havia passado algumas horas sentado em frente ao aparelho, e que a sessão com a psicóloga seria em alguns minutos. Tinha uma relação estreita com as psicólogas, cheia de ódio e amor. A primeira namorada fazia psicologia, a irmã fazia psicologia e a nova ficante estava se formando em psicologia. Odiava psicologia.
E então, como passou a semana? o estômago continua queimando? já te falei que você devia ir no médico, você tem que cuidar dessa ansiedade, biiiiiiiiiiiiiiiip, desculpa, esqueci de desligar o celular, tudo bem, atende. E aí Mário, tudo bom? No ZOL? O quê, claro! Vou ligar já!
Teste amanhã. Agora é que meu estômago derrete.

 
O PRIMEIRO ANO DO COMEÇO DA MINHA VIDA
(uma história ficcional com pitadas de verdades)



UM

Oito da manhã. Hora de levantar e procurar emprego. Não, a cama está quente, a cama está boa, acho que vou continuar no meu mar de mediocridade hoje de manhã.
24 anos, seis meses de formado. Ah, quando tinha uns 12 anos, achava que a essa altura, ia estar casado e morando numa bela casa com uma bela mulher lavando louça e cuidando de nossas pencas de filhos e de nosso cachorro. Com 14, camiseta do Iron e um monte de idéias imbecis na cabeça, achava que aos 26, teria um bar – claro, de metal – e um monte de bucetas. Fiz 17, entrei no cursinho e descobri que não tinha a mínima idéia do que ia fazer depois de seis meses de formado. Porque não tinha a mínima idéia do que ia fazer na faculdade.
Gostava de história, mas não queria morrer de fome. Também gostava de psicologia, mas achava coisa de veado. Além do mais, minha namorada ia fazer psicologia e tudo o que eu não queria era estudar junto com ela. E tinha o jornalismo. Sempre escrevi bem, e sempre tive dificuldade para me expressar. Ah, a carreira ideal! O útil ao agradável! Iria viajar para caralho! Um jovem repórter, correspondente em Londres ou em Paris. Até Buenos Aires seria legal, iria dar um crédito para a cidade!
E aqui estou eu. Seis meses de formado, 24 anos e decidindo se levanto ou se fico enrolado no meu cobertor quadriculado de criança.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
 
Segunda, 9 de la matina, uma lixa na minha garganta. Sem conseguir comer ou beber, fui para a reunião de pauta, estas são as minhas putas, digo, pautas, agora sai da frente que vou chamar o HUGOOOOOOOOOOOOO.
Pressão - e moral - baixas, a gordinha gostosa não curtiu muito a bile na peitaria, volto pra casa e durmo, sonho com asfalto quente, chope morno e empadinhas geladas. Reflexo da febre que me acompanhou pela semana.
Terça, desisto de ser durão e peço arrego. Pra mãe e pro pai, que servem pra essas coisas, quero ir no médico, vamos lá. A otorrino é simpática e gostosa, mas não muito atenta, a piranha, passo os três dias seguintes empipocado, com alergia do antibiótico.
Quarta, volto pro hospital, é outro médico e são duas da manhã, tomo um antialérgico na bunda - frase comprometedora -, fico tonto e HUGOOOOOOOOOOOOOOOOOO. Ao mesmo tempo em que peço "socorro". Desmaio na cadeira e só acordo quando o Jô chama o fundo da caneca.
Quinta, uma plantação de milho de uma semana toma conta do meu rosto, saudade do sol e da fumaça da Marginal...

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
 



 
O final de ano foi surreal. Entre outras coisas, dormi no corredor do prédio - juro que não estava chapado! -, xavequei uma garota que deve ter nascido quando eu já via filme de sacanagem no vídeo e fiz um monte de amizades.
Foi bem legal.

Domingo, Janeiro 04, 2004
 
AH moça, você ainda não entendeu, não é?
Você me humilhou... você enfiou o punho em minha ferida aberta mais profunda, e depois, esticou os dedos.

Você me mostrou quem eu sou. Pelo menos, o eu que você vê. Um eu que não tem lugar perto de você.

Todo seu stalinismo literário século 21 não foi suficiente para nem ao menos tolerar a idéia de que eu te queria. Você se ofendeu, disse você - sim, esse foi seu insulto maior. Sempre que eu lembrar de você, vou lembrar que você se ofendeu.

Não há nada o que fazer. Mas o sangue da ferida aberta continuar a correr. Não perca o seu tempo, você me disse. Mas eu perdi. O meu tempo, sabe. O tempo e espaço.

Fiquei meses e meses sem saber em que ano ou em que lugar eu vivia.


 
ODEIO esse lance de família. Não pai e mão e irmã e irmão e cachorro. Adoro a minha família. Entendeu o paradoxo?
O que odeio é essa herança italiana de vô e vó e tio e primo ficar se metendo na vida do outro. Um mundo perfeito, para mim, seria um mundo discreto.

E é por isso que estou de saída. Assim que conseguir o cpu no trabalho, assim que não depender mais desse que vos fala, digo, que serve como instrumento para escrita, vou sair fora. Já passei da fase de me importar com tia que quer arrumar briga ou com primo que se fode e quer a família inteira em cima de seus problemas. Antes, ficava puto. Agora, não estou nem aí, já dizia a Luka - péssimo exemplo, hein?

Mas quero paz, quero um espaço meu, quero uns 20 metros quadrados só meus. Bom, podem ser só cinco até. Não precisarei de muita coisa lá, apenas minha cama, meus livros e cds e tv e som e... putz, é coisa pra caralho.

Que venha 2004, the great way out year!

Terça-feira, Dezembro 30, 2003
 
Não sou de colocar textos sobre o mundo real neste blog, mas esse aqui é sobre uma das poucas coisas sãs que vi nos últimos tempos. É da Carta Maior:

"Brasil devolverá tratamento a americanos em aeroportos



O juiz federal Julier Sebastião da Silva acolheu ação cautelar movida pelo procurador-chefe da Procuradoria da República no Mato Grosso, José Pedro Taques, e determinou que todo cidadão americano que entrar no Brasil a partir do dia 1º de janeiro de 2004 seja fotografado e tenha suas impressões digitais recolhidas pelas autoridades brasileiras. A medida baseia-se no princípio da reciprocidade, utilizado no direito internacional público, e foi defendida por Taques como forma de o governo brasileiro pressionar os Estados Unidos a excluírem os brasileiros da lista de cidadãos que serão assim identificados ao entrarem e saírem do território americano, para abastecer um banco de dados que pretende identificar supostos terroristas.
O juiz acatou a argumentação do procurador, de que os cidadãos brasileiros vêm sendo freqüentemente humilhados ao entrarem nos Estados Unidos, obrigados a passarem por revistas, entrevistas, triagens ou sendo deportados e expulsos depois de ficarem presos com criminosos americanos, contando com a omissão das autoridades brasileiras.

Segundo o procurador, os americanos também podem cometer crimes em território nacional, como biopirataria, tráfico de mulheres, tráfico de drogas, e dessa forma o governo brasileiro deve também identificá-los para que possam ser responsabilizados no caso de cometerem algum delito.

Em sua decisão, o juiz Julier da Silva diz que a União não pode se omitir em zelar pela aplicação dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e, nesse sentido, deve agir para excluir os brasileiros de tratamento indigno que viole os tratados e convenções internacionais de proteção dos direitos humanos.

A Justiça Federal determinou à União prazo de dez dias para fazer gestões às autoridades americanas para excluir os brasileiros da lista dos cidadãos suspeitos de terrorismo e para fotografar e recolher as impressões digitais dos cidadãos americanos que entrarem no Brasil enquanto perdurar a restrição imposta pelos americanos. Caso não cumpra a determinação, a União deverá pagar multa de R$ 10 mil por dia.

As informações são do site da PGR"




Quinta-feira, Dezembro 25, 2003
 


VOCÊ me mostrou quem sou. E por isso, vou te odiar por muito tempo.
Sem querer, você me jogou do alto de um barranco e jogou terra em cima. Ninguém pode fazer nada, estamos de mão atadas. Não podia ser dessa maneira, mas também não poderia ser de nenhuma outra.

Ah, o inevitável. Sei que você não acredita nisso. Pré-destinação, talvez? Lá vem você com suas bobagens espíritas, você diria. Quem pode saber? Tudo o que posso dizer é que gostaria de nunca ter te encontrado, e que te amo. Mas no seu lugar, seria outra.

O sangue continua a correr. Suas mãos estão sujas, mas isso não é problema seu. Todas as coisas foram ditas e toda a raiva, colocada para fora.

Queria ser aquele desenho da MTV que conseguiu matar a Náusea.

Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
 
Estou com preguiça de mudar o layout, mas vou mudar os textos. Esse é o primeiro:

OUTRA noite. Sempre o eco daquilo que não foi e que já não pode ser. Das experiências não vividas. Dos gritos silenciosos de terror, embalados por metal.
Foi o colegial. Eu desliguei. Não era eu, simplesmente não era eu naqueles três anos... Não sei onde estive. 36 meses de lapso, de vazio.
Dói. Dói ainda, desesperadamente. Não tive uma namorada para comer, nem um carro para bater. Humilhado, virei um vulto da noite. Todo dia era a mesma coisa, back in black. Sempre com Eddie. Sempre cabeludo e barbudo.
Não acreditava em nada, muito menos em mim. Era um imbecil e tentava me matar. Mas virei uma rocha - cheia de lava em ebulição por dentro. Não acredito em suicídio, mas não aceito viver. Sobrevivo a cada dia, deitado no divã de Crime e Castigo.
Tinha o olhar tão vidrado que nas raras vezes em que saía na rua, simplesmente não era percebido por aqueles que passavam por mim. Um vulto.
You have the right to kill me, but you do not have the right to judge me, because I have seen the horror. The horror... Ah, não desejo isso para ninguém. É a negação da vida. A negação do que nos impulsiona...
Dane-se, vão todos à merda, não devo nada a ninguém, a não ser a mim mesmo. Talvez venha daí o meu espírito trash, celebrado por alguns e odiado por muitos. Paradoxalmente, é um meio de vida.

Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
 
Este blog chegou ao fim. É que simplesmente não tenho mais inspiração pra escrever dentro da proposta do site, ou seja, sobre o meu cotidiano. Tavez dê uma reformulada, coloque um assunto específico, mude o layout, mas talvez não. Quero escrever sobre mais do que o dia-a-dia.
Quem sabe o que pode acontecer no futuro?
inté!

Domingo, Novembro 23, 2003
 


Senhores, leiam os clássicos. Angeli, Laerte etc.

Sábado, Novembro 22, 2003
 
HOJE fui na feira da Benedito Calixto. Foi como voltar a ter 12 anos. Primeiro, porque tinha muito brinquedo dos anos 80, como Falcon, He-Man, Comandos em Ação e outras coisas - alguém lembra daquele robô, o Arto? Segundo, porque queria sair comprando tudo o que via pela frente.
Comprei um London Calling em ótimo estado, por um preço bem módico, e duas revistas Chiclete com Banana. Putz, como era lega a Chiclete com Banana. Como faz falta uma revista dessas hoje em dia.

Quarta-feira, Novembro 19, 2003
 
Animal interior.


Sábado, Novembro 15, 2003
 
NÃO fui para a praia. Ubatuba merece uma viagem com os amigos, mas nenhum pôde ir.
Tentei substituir as areias do Prumirim pelo concreto do parque Villa Lobos. Corri, fiquei no sol - e na névoa também - e consegui sentir no vento um pouco da mesma coisa que sinto quando respiro a brisa em uma praia.
Adoro os sábados. Acordo às 8h e fico enrolando na cama até meio-dia, sem fazer nada, absolutamente nada.
Mudando de assunto, está passando na tv da sala essa novela Celebridades. Putz, como tem putaria nessa porra.

Segunda-feira, Novembro 10, 2003
 
Esse tal de Banksy é muito legal. Ele ou ela sai por Londres fazendo pichações com caráter político - ou apolítico, como queiram.


Este aqui é o mais legal.


 
ÀS vezes, estou triste e tenho vontade de escrever linhas tristes sobre coisas (mais ou menos ou nem) tristes que aconteceram em momentos tristes.
Mas tenho um medo danado de influenciar as pessoas... que direito tenho eu de fazer alguém se sentir mal?

Domingo, Novembro 09, 2003
 
SÁBADO estarei aqui:


Não me importa se alguém vai comigo - importa sim, adoro viajar com amigos -, mas pisarei as areias brancas do Prumirim, em Ubatuba, no sábado, dia 15. É o lugar mais belo do mundo.

 
EU odeio você! Como você pode ser tão idiota?
Eu amo você! Como você pode ser tão idiota?
Eu amo você? Como você pode ser tão idiota?
Eu amo. Você? Como? Você pode ser tão idiota.


Quarta-feira, Novembro 05, 2003
 
Da série pensamentos (in)úteis

- A luta final entre Neo e Smith no Matrix Revolutions parece uma cena daquele desenho japonês, o Dragonball Z.

- O xaveco mais engraçado que já usei foi pedir um beijo para uma mina porque ela tinha piecing na língua e eu queria ver como era beijar alguém assim.

- Estou me sentindo deslocado e jogado às traças, mas amanhã é outro dia.

Terça-feira, Novembro 04, 2003
 
VI onde eles jogavam e passei por onde eles corriam.
Quilômetros de poeira, vento e frio. Tudo para me sentir infeliz. Tudo para bater com a porta da distância na cara. Senti meu sangue ferver e tive ganas de pular o muro, mas ele era alto e eu estava cansado. Quilômetros de poeira, vento e frio.

Era o inferno, o mesmo dos livros que li quando era pequeno. Minha cabeça queimava e de alturas incomensuráveis, gritos e lamentos ecoavam pelo vale.
Havia outros como eu. O mesmo olhar vidrado e o mesmo cabelo chamuscado, as mesmas pernas esfarrapadas vagando.

E os outros... eles riam. Seus rostos estavam cobertos pelo preto e seus corpos, protegidos pelo aço. Mas o escárnio perfurava. Cada um que passava era uma faca enfiada na minha mão.

 
A GLOBO passou ontem Shaft, adoro aquele filme, misturas de porrada, tiros e estilo anos 70 são sempre bem vindas.
Mas o mais engraçado foi a dublagem feita. Na hora em que Shaft está no bar e a garçonete pergunta se ele" quer ir pra casa" com ela, ele responde:
- Você vai querer só um carinho ou uma GERAL?
Cara ,é fantástico, de onde eles tiram essas coisas?
Isso sem falar que eles parecem ter começado a incorporar algumas gírias novas, como "mano", "tá ligado" e coisas do tipo. Rolou até um palavrão, um "filho da puta".

Quarta-feira, Outubro 29, 2003
 
HOJE fui fazer uma reportagem no bairro Portal D'Oeste 2, em Osasco. Nunca vi tanto descaso do poder público junto. Deviam fazer uma versão de "Hollyday in Cambodja" em português com o título "Feriado no D'Oeste". "Meu filho, o que você precisa é de um feriado no D'Oeste, onde assassinos mandam na escola, um feriado no D'Oeste, onde as moscas invadem as casas".

 
VI um documentário na Cultura ontem sobre Dostoievski.
Uma parte é muito interessante... dizia que o escritor havia antecipado uma série de coisas que é atual hoje. Ele fazia parte de uma nova classe, uma classe culta, letrada, que não tinha lugar no capitalismo que começava a entrar na Rússia. E daí vinha o tédio de Rashkolnikov, do protagonista de Memórias do Subsolo...
Alguma semelhança com os tempos de hoje?

Terça-feira, Outubro 28, 2003
 
CANSEI de você.
Você mudou. Era carinhosa. É rancorosa.
Era divertida. É intrometida.
Era minha amiga. Agora, não sei quem você é mais.
Você é agressiva, como se eu te devesse alguma coisa.
Você não aceita quem pensa diferente de você. Quando eu era babaca e ria das coisas que você falava, estava tudo bem - para você.

Menina, vai embora. Some. Desapareça no meio de 5 bilhões de Budas.
Mas vamos nos reencontrar um dia, quando houver apenas a luz. Vamos nos olhar cara a cara e rir. Mas isso vai demorar e no momento, não consigo rir. No momento, tudo o que você me faz sentir é uma grande e enorme indiferença.

Quinta-feira, Outubro 23, 2003
 
ESTA foi uma semana muito estranha.
Conheci uma garota pela Internet e ela me mandou uma foto. Estava deitada de bruços, de calcinha. Preta - a calcinha.
Marcamos de nos conhecer. E descobri que ela mandou a foto errada. Era ela, mas era uma foto que o ex-namorado tinha tirado. Ela me mandou uma foto "secreta", por assim dizer. E eu pensando coisas mil...
E fui chamado de "sexista" e de "nojentão", por ouvir Metallica e por gostar de conhecer garotas quando estou no ônibus. E o pior é que foi uma amiga minha que disse isso, não entendi nada. Então se eu gostar de conhecer garotas no bar, também serei sexista? Mas o pior foi a história do Metallica... Porra, ela gosta de Prodigy - o que dizer de "Smack my Bitch Up", anyway - e fica puta comigo por isso? Ok, pelo jeito, ela é uma pessoa que só vou reencontrar quando não houver mais trevas.

 
COMPREI uma guitarra e um amplificador para fazer barulho e abafar as vozes acusatórias que ecoam dentro de mim.

Quarta-feira, Outubro 15, 2003
 
O que faltava nesse blog era mulher bonita. Mas o problema foi resolvido:




Terça-feira, Outubro 07, 2003
 

O Adão é foda.

Segunda-feira, Outubro 06, 2003
 
HÁ dias que não deveriam existir.
Hoje deu tudo errado... levei geral da polícia, não consegui um trampo que queria e ganhei menos do que imaginava no atual.
Tudo bem... amanhã é outro dia. E sexta, vou estar na OKTOBERFEST!

Quinta-feira, Outubro 02, 2003
 
BCN X São Caetano

FUI cobrir ontem o jogo entre BCN/Osasco e Açúcar União/São Caetano. Um vento frio, ginásio lotado e a promessa de um bom jogo. Na entrada, umas gostosas distribuindo vale-casquinhas do Mc Câncer.
Primeiro set: o BCN só se fode, tenta fazer umas jogadas de classe, especialmente a nº 7, Marianne, que tenta dar umas deixadas de bola, sem cortar. Dá tudo errado, não vi uma jogada desses funcionar no jogo inteiro, é gostosa mas é ruim, fala alguém do meu lado. Tive que concordar.
Vendo de longe, parecia que ela era alta, que teria 1,77m, mas quando fui ver a ficha no site para escrever a matéria, veio a surpresa, ela tem 1,89. A jogadora Ana, que achei que era baixinha, tinha 1,72m, certo, é baixinha mesmo. Pelo menos, naquela quadra.
SEgundo e terceiro sets. Uma reação aqui, uma cortada ali, mas o BCN - quem mais, a Marianne - continua com aquela frescura de deixada de bola e só se fode.
O BCN perde por 3 a 0, mas ainda é o melhor time da competição. Eu perco um retrovisor do carro, mas ainda foi melhor do que ficar em casa.
Volto pra casa ouvindo o novo do Metallica.


Marianne: destaque positivo - e negativo - do jogo



Terça-feira, Setembro 23, 2003
 
ME sinto como uma larva, me arrastando e me esgueirando por uma cidade - cidade ? - feia e horrível.
Aliás, ir pra Pinheiros hoje me lembrou uma fala do Boromir na Sociedade do Anel, descrevendo Mordor: "o próprio ar que você respira é um gas venenoso".
Porra, não deveriam ter usado tecnologia digital para fazer Mordor. Deveriam sim é ter feito as locações da terra de Sauron em São Paulo. Há coisa mais parecida com Mordor do que a rua Butantã num dia de calor, poluição e trânsito?

 
DOIS

ARRUMOU um emprego. Em uma editora capenga, instalada em um sobrado semi-destruído no centro da cidade.
- O lance é o seguinte, cara, é um jornal pra povão. No estilo do NP. TEm que pingar sangue da página, tem que ser foda, entende?
- Entender, entendi. Onde vai ser distribuído?
- Na perifa. Mostrar pro pobre que tem gente se fudendo mais do que ele.
- (...).
Lembrou então de um NP que lera anos atrás, na época da facul. A crítica de O Feitiço de Áquila do tablóide era um clássico: "cardeal malaco arma para cima de cavaleiro gostosão". Abriu um largo sorriso, ia se divertir no trabalho.
- Ah, mas tem uma coisa. A linguagem tem que ser normal. Nada de gíria, entende?
- Peraí, mas não vai ficar meio estranho isso?
- Não, nem fica.
Legal, conseguira trampo, apesar de não ter certeza de quando receberia e se receberia. Fechou o portãozinho do sobrado e ganhou a rua. Andou umas quadras, desviando de bosta de cachorro, e chegou no ponto da Consolação. A fumaça fazia os olhos arderem, o barulho dava dor de cabeça. Um motoboy passou pela calçada.

Sexta-feira, Setembro 19, 2003
 
HIHIHIHIHIHIHIHI, trabalhei 30 horas em dois dias e não preciso mais de breja pra ficar maluco... estou me sentindo completamente dopado. Não há em cima ou embaixo. Eu sou infinito.

Sexta-feira, Setembro 12, 2003
 
Tinha escrito isso fazia tempo, mas eu gosto do que escrevo então que se foda, está aí de novo:

Após sair de um bar, bêbado e chapado, pego carona com dois amigos, igualmente stonned. O plano maravilhoso de um deles: passar em uma favela e comprar. Dava para imaginar que ia acontecer alguma coisa de ruim...
Mas não aconteceu nada, nada mesmo. Ninguém parou os três imbecis chapados em um carro, que, no entanto, não conseguiram achar o cara - I´m waiting for my man, já dizia o Velvet Underground - e foram embora sem bé, sem diversão e sem fé. No cara.
Queria morar em Londres e comprar no meio da Oxford Street e carregar no bolso sem medo - do seller e do police man -, Londres é o lugar mais maravilhoso da Terra, menininhas maluquinhas descem no Picadilly cheias de tesão por rock, loucuras e chapação, a palavra mágica da cidade, todos querem estar alguns neurônios abaixo do resto da humanidade.
As baladas em Sampa acabam em uma padoca ou em uma banca de jornais ou de pastel. As baladas londrinas acabam em uma poça de vômito, invariavelmente, ao som de alguma música dos Stooges.

Sexta-feira, Setembro 05, 2003
 
UM DE UM MONTE


DEITADO na cama, ouvia toda a magnificiência do Smashing Pumpkins de 1993.

Virou-se e ficou olhando uma rachadura no teto. Parecia uma nuvem de gafanhotos vista de longe. Muito distante para causar alguma preocupação.

Assim era ela. Ou deveria ser, já que se encontravam, no máximo, uma dúzia de vezes por ano. Então por que doía tanto? Distante como a nuvem de gafanhotos. Distante e inatingível.

Sentou-se ne beirada da cama e caiu, o colchão era muito mole. Colocou as mãos na cabeça e ali ficou, com as costas curvadas como um carvalho. Nunca mantivera esperanças, mas aquela voz doce no telefone fora bem amarga. "Estou namorando agora".

Adorava garotas que considerasse estranhas, o que não era, de modo algum, um julgamento, mas um elogio, antes de tudo. Garotas brancas como velas, todas elas. De roupas escuras e cabelos lisos, como uma personagem de algum filme de Kieslowski. Como uma nuvem de gafanhotos.

De repente, começou a ouvir os acordes iniciais de Disarm e toda a frustração e o orgulho ferido, que achava que fosse amor, explodiram dentro de sua cabeça e teve vontade de gritar para que o mundo calasse a boca, era tarde e queria dormir.

Desligou o aparelho de som com um murro e foi dormir.


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